Museu do Crédito Real De Minas Gerais - Juiz de Fora

UM MERGULHO NA HISTÓRIA FINANCEIRA DO PAÍS
Esse museu foi o sexto do mundo destinado à preservação da memória monetária e bancária, ao lado de Museus pioneiros do gênero como o Chase Manhatan (em Nova Iorque), o Banco Central da Colômbia, Banco Central do Uruguai, Banco Central da Argentina e Banco Central do Brasil. Seu criador, José Tostes de Alvarenga Filho, a partir da década de 60, começou um trabalho obstinado de recolher, em todos os cantos do país, tudo o que estivesse ligado à história do Credireal, este banco que, na agonia do Império, criou a inovação do Crédito Real.
O Banco do Crédito Real foi autorizado a funcionar em 22 de agosto de 1889, às vésperas, portanto, da Proclamação da Republica, através de decreto assinado por D. Pedro II, com o objetivo de conceder empréstimos mediante garantia hipotecária. Sua inauguração aconteceu em 5 de setembro de 1889, no mesmo dia em que se inaugurava a iluminação elétrica em Juiz de Fora.
A cena da assinatura do decreto por D. Pedro II foi reconstituída por meio de pintura a óleo sobre tela, de autoria de Carlos Oswald, obra que integra o acervo do Museu do Crédito Real em exposição permanente.
São fundadores da instituição os seguintes empreendedores e personalidades ilustres da história da cidade de Juiz de Fora e do país: Presidente – Marcelino de Brito Pereira de Andrade (Visconde de Monte Mário); Vice-Presidente – Senador José Joaquim Monteiro da Silva (Barão de Santa Helena); Secretário – Bernardo Mascarenhas; Gerente – João Ribeiro de Oliveira e Souza e Diretor – Francisco Batista de Oliveira.
O banco iniciou suas atividades em meio às dificuldades motivadas pela crise econômica, política e social provocada pela abolição da escravatura (13 de maio de 1888). Foi uma das raras instituições financeiras do país a resistir à onda de falência que atingiu o sistema na transição do Império para república, tendo funcionado como alternativa viável ao sistema financeiro centralizado no Rio de Janeiro.
Durante muitos anos, foi o único banco do Estado, sendo considerado, até a década de 60, uma das mais fortes e conceituadas organizações do país. Em 1990 possuía 150 agências e 7 mil funcionários, funcionando durante 109 anos (1889 a 1998),. Sempre presente na vida econômica nacional, participou de grandes empreendimentos e, em 1998, foi privatizado e vendido.
O PRÉDIO
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A edificação localiza-se na Av. Getulio Vargas, 455 - esquina com Rua Halfeld, centro histórico de Juiz de Fora e foi a 3ª sede do banco.
Trata-se de uma construção em estilo eclético, projetada pelo arquiteto Luiz Signorelli e construída pela Companhia Industrial e Construtora Pantaleoni Arcuri. As obras foram iniciadas em 1929 e concluídas em 1931. Apresenta características arquitetônicas semelhantes à de outros edifícios projetados por Signorelli em Belo Horizonte, a exemplo da Secretaria de Agricultura, Secretaria de Segurança, Automóvel Clube e fachada do Instituto de Educação.
Originalmente, possuía 3 pavimentos que foram posteriormente sobrepostos por mais 2, construídos em 1951 e 1952.
Em 1992, foi tombado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento da Prefeitura de Juiz de Fora, por seu apuro arquitetônico, por sediar a instituição bancária mais antiga de Minas Gerais e pela contribuição desta para o desenvolvimento do Estado. Em 2001, passou por substancial obra de restauração, sob licitação e supervisão do IEPHA. Em 2005, foi tombado pelo Governo do Estado de Minas Gerais, em seguida as pinturas parietais do artista Angelo Biggi, que ornamentam dois salões principais, foram tombadas pela Comissão Permanente Técnico Cultural da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora.
• Acervo
O acervo inclui peças de numismática (cédulas e moedas), desde o período colonial até a atualidade. Há também moedas e notas do exterior, 10.000 fotografias, mais de 100 filmes, 82.000 documentos como balancetes, contas-correntes, empréstimos, notas promissórias, registros de depósitos, transferências e cheques. Um extenso acervo documental, que é uma atração à parte, caligrafados sem qualquer erro ou rasura. Mas esse rigor não foi suficiente para impedir uma transação irregular no passado: a aceitação de escravos em hipoteca, em 1889, quando a escravatura já havia sido abolida no ano anterior. Além da carta régia de 1889 com a assinatura de D. Pedro II autorizando a criação do banco.
Em linhas gerais, a coleção reúne: mobiliário (escrivaninhas, cofres, mesas e estantes de diferentes estilos, épocas e materiais); maquinário (relógios, máquinas de escrever, telefones, prensas, mimeógrafos, balanças, telex, componentes eletrônicos); objetos de escritório (mata-borrões, cinzeiros, tinteiros, canetas e pesos); peças de difusão do Credireal (canetas, chaveiros, cinzeiros, louças com a logomarca do banco); retratos (pinturas a óleo ou fotografias dos fundadores e antigos diretores do banco).
Clientes notáveis também estão lá com suas assinaturas. Além de JK, que em 12 de março de 1956 fez um depósito de 94 mil cruzeiros, Dom Silvério, o Presidente Antônio Carlos, Presidente Castelo Branco, Ernesto Geisel, Tancredo Neves e até um talão de depósito preenchido por Pelé, formam a galeria de clientes ilustres do banco. Mas, quem se der ao trabalho de folhear os livros de operações de empréstimo e de depósito, vão depara-se com quase todas as grandes figuras de Minas.
Os caixas, aliás, sempre foram boa fonte para o Museu. Foi através deles, que se tornou possível recolher notas falsas, que tentaram entrar no Banco em épocas diversas.
No tempo em que ainda não se conhecia o expediente das compensações e da guarda de valores por empresas especializadas, os cofres eram a própria vida dos bancos e, por isso, são imensas barras de ferro intransportáveis e invioláveis. Os mais antigos também permanecem em Juiz de Fora, bem como as primeiras máquinas de escrever. Isso permite ao visitante conhecer a evolução histórica dos equipamentos e da cunhagem da moeda e da impressão de cédulas no Brasil.
Museu do Crédito Real
Rua Getúlio Vargas, 455 – Centro
Juiz de Fora, MG - 36010-110
Tel.: (32) 3211-0770 / 3212-0973
E-mail:
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Horários de visitação: de segunda a sexta, das 9h às 18 h
Agendamento de visitas: visitas guiadas devem ser previamente agendadas
Telefone: (32) 3211-0770 e 3212-0973
Distância: Belo Horizonte – Juiz de Fora: 275 km
Empresa de ônibus: Viação Atual – www.ciaatual.com.br
Telefone: (31) 3272-6104 e 3271-8793






