Um diagnóstico amplo da atual situação do Turismo face à crise social e econômica gerada pela disseminação do coronavírus. Para obter esse resultado, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) aplicou, no mês de abril, por meio do Observatório do Turismo de Minas Gerais (OTMG), uma pesquisa de sondagem junto a empreendedores turísticos do estado e de outras localidades do país. A ação foi elaborada em conjunto com a Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) e a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e articulada com a Rede Brasileira de Observatórios de Turismo.

Entre 13/4 e 27/4 foi disponibilizado, de forma virtual, um questionário com uma série de perguntas, contemplando questões referentes a fluxo, faturamento e emprego nas empresas, tanto no setor turístico quanto na economia criativa. As perguntas foram direcionadas a agências e operadoras, bares e lanchonetes, e aos empreendimentos ligados a eventos, hospedagem, consultoria, restaurantes, atrativos, parques e transportadoras, alcançando Minas Gerais, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados. Mais de quatro mil respostas foram validadas.

De acordo com a superintendente de Políticas do Turismo da Secult, Flávia Ribeiro, a sondagem foi uma etapa fundamental para a pasta no que diz respeito às ações que podem ser tomadas para auxiliar a recuperação do setor. “O mais importante da ação foi dar voz aos diversos segmentos do Turismo, não só em Minas Gerais, mas praticamente em todo território nacional. É por meio da compilação das respostas que obtivemos que poderemos, primeiro, entender como o trade tem reagido ao distanciamento social e, depois, o que nós podemos fazer para reativar as demandas”, comenta Flávia.

O que dizem os números

No período em que o formulário circulou, foram coletadas ao todo 4.921 respostas no Brasil, sendo 1090 em Minas. Os dados indicam, entre outros questionamentos pontuados pelo OTMG, a situação financeira das empresas durante a pandemia e a perspectiva e as projeções financeiras para os próximos meses. Em Minas Gerais, para 32,5% das empresas, o impacto foi de 100% no faturamento no mês de abril. Para maio, a projeção desse percentual é de 25,8%. Diante do cenário de incertezas, 38,36% afirmaram que não alteraram seus preços. Para aqueles que responderam que diminuíram preços (26,16%), houve redução de até 25%.

Sobre os impactos na receita anual ou no faturamento, 22,16% dos entrevistados estimam redução entre 26% e 50%. Para 33,52%, a estimativa de redução do faturamento fica entre 51% a 75%. Já para 36,5% dos entrevistados, a redução pode ser superior a 75%. Ou seja, mais da metade dos empresários mineiros do Turismo estimam que sua arrecadação anual vá cair em mais de 50%. Apesar das projeções de redução no faturamento, mais da metade dos entrevistados (58%) afirmou que não havia realizado ou não pretendia fazer redução do quadro de funcionários.

Um dos itens da sondagem averiguava a percepção dos empreendedores a respeito de pesquisas durante a pandemia. Para os empreendedores de Minas Gerais, essas ações são válidas e podem ajudar a compreender melhor o cenário atual. Segundo os próprios entrevistados do estado, 25% consideram pesquisas do tipo importantes e 67,7% consideram muito importantes. Nesse sentido, o formulário percorreu um vasto território em Minas, com adesão de municípios sediados nas 47 Instâncias de Governança Regionais (IGR’s).

Na visão dos empreendedores turísticos, a recuperação do setor será mais forte a partir de 2021. É o que apontam 51,3% dos entrevistados. Já para 18,25% deles, essa retomada econômica tende a acontecer, ainda, neste ano. Com o intuito de mitigar os impactos no setor ao longo desse período, muitos entrevistados pontuaram algumas ações que já estão tomando para manter atividade aquecida. Entre as iniciativas citadas estão promoções, remarcações, adiamentos de serviços, parcerias com outras empresas, serviços de entrega, comercialização via vouchers, entre outras.

Projeções e estratégias

A compilação dos dados também aponta para caminhos mais seguros do Turismo. Uma das estratégias que pode ser adotada pelo setor é o turismo interno e de curtas tendências. Para Flávia Ribeiro, essa alternativa pode apresentar resultados positivos para a recuperação do trade. “O Turismo interno pode ser uma tendência, de fato, a ser explorada. Minas Gerais, por exemplo, tem um fluxo interno grande, de mineiros querendo conhecer seu próprio estado. Isso pode ser muito benéfico para toda a cadeia turística”, destaca a superintendente.

A sondagem realizada pelo Observatório do Turismo de Minas Gerais integra uma série de ações realizadas pela Secult durante o período da pandemia de Covid-19. A pasta também tem monitorado, constantemente, os efeitos do isolamento social no estado e divulgado, quinzenalmente, esses números por meio do “Boletim do Turismo – Impacto do Coronavírus em Minas Gerais”. Recentemente, a Secult publicou uma série de documentos que vão subsidiar a cadeia turística durante o enfrentamento dessa grave crise e na retomada segura das atividades. Acesse AQUI

Confira aqui o relatório completo com os dados da sondagem empresarial

Confira aqui o relatório com resultados da pesquisa som setores da Economia Criativa