Secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Marcelo Matte, falou sobre a relevância de Minas Gerais no cenário cultural do Brasil e da importância do respeito à diversidade existente no Estado. Foto: Franciele Xavier

Belo Horizonte recebeu, nesta quinta-feira (7/11), no auditório do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), o Pre BRICS Summit: A Inovação e Sustentabilidade como Aliança para o Desenvolvimento, evento que antecede o encontro de líderes do Brasil, Rússia, Índia e China previsto para acontecer em Brasília (DF) nos dias 13 e 14 de novembro.

A programação teve abertura oficial com o espetáculo Mineral, na quarta-feira (6/11), no Grande Teatro do Palácio das Artes. Com a direção artística e musical de Máximo Soalheiro e Pedro Durães, respectivamente, o concerto apresentou uma instalação com dezenas de peças em cerâmica, que deram corpo a um grande instrumento musical, resgatando a relação entre cerâmica e música.

Para realizar Mineral, Máximo Soalheiro, um dos mais importantes ceramistas do país, dedicou-se à pesquisa de materiais, processos de queima e vitrificação, chegando ao material definido para a instalação, o agalmatolito (especificamente a pirofilita), que tem ocorrência única em Minas Gerais e na China. O concerto reuniu os músicos Bruno Vellozo, Davi Fonseca, João Paulo Drummond, Kristoff Silva, Leandro César, Pedro Durães, Juliana Perdigão e Yuri Vellasco e teve, em seu repertório, grandes nomes como Hermeto Pascoal, Santiago Vazquez, João Donato, Ari Barroso, Björk, entre outros.

Já na quinta-feira (7/11), entre os encontros promovidos para discutir economia, desenvolvimento, inovação e sustentabilidade no Pre BRICS Summit, estava o painel “Desafios da Cooperação e da Internacionalização da Cultura”, que contou com a participação do secretário de Estado de Cultura e Turismo, Marcelo Matte. Na abertura do debate, Matte mencionou o esforço da pasta para alavancar a economia criativa em Minas Gerais, a importância da cultura como difusora de valores e apoio à diplomacia e à construção de pontes afetivas entre os diversos países.

“Como construir essas pontes? Não vejo outra forma se não por meio do respeito à diversidade cultural dos países. É na indústria criativa que esse respeito à diferença se faz mais necessário. Nenhum outro Estado tem uma multiplicidade tão relevante quanto Minas Gerais. Seja ela racial, social, cultural, étnica ou religiosa. Temos toda a diversidade brasileira no centro geográfico do país e somos o grande hub cultural do Brasil. Podemos, portanto, ter todas as possibilidades de ser a ponte afetiva do Brasil com outros países do BRICS”, comentou Matte durante debate do painel.

Painel sobre

Além dele, fizeram parte do debate a presidente do BDMG Cultural, Gabriela Moullin, como mediadora, o presidente do Instituto CPFL, Mario Mazilli, e a relações internacionais do SESC-SP, Heloísa Pisani.

Para Gabriela Moullin, o intercâmbio cultural entre países é o impulso para a inovação da cultura como forma de fomentar a economia. “Em um mundo cada vez mais interconectado, a cultura é o meio ideal para a diplomacia, pois tem capacidade de atingir um número substancial de pessoas. Ela desempenha o papel essencial no processo de enriquecer a reputação do país ao impulsionar as percepção do público em direção a um entendimento mais amplo e durável do país e de seus valores. Estudiosos concordam que a diplomacia cultural contribui para manter ou melhorar a imagem de um país no exterior e ajuda a criar uma base de confiança com outros polos, fundamental para promoção de interesses econômicos”, defendeu a presidente do BDMG Cultural.

Os representantes do Instituto CPFL e do SESC-SP, Mario Mazilli e Heloísa Pisani, respectivamente, explicaram como as instituições onde atuam promovem a internacionalização da cultura e opinaram a respeito de como os intercâmbios culturais são fundamentais para as relações diplomáticas entre países.

Fotos: Franciele Xavier (Secult)