Além de casamentos, velórios, batizados, entre outras inúmeras passagens que marcaram a vida do povo de Diamantina, Chichico se dedicou a fotografar a vida musical da cidade. Foto: Francisco Alkmin

Toda a beleza e força do retrato social brasileiro foram registradas pelo fotógrafo mineiro Francisco Augusto de Alkmim, cujas obras ocupam a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, no Palácio das Artes, a partir do próximo sábado (9/11). A aclamada exposição Chichico Alkmim, Fotógrafo, uma parceria com o Instituto Moreira Salles (IMS), possui curadoria do poeta e consultor de Literatura do IMS Eucanaã Ferraz, e abrange todos os anos de produção do artista em Diamantina (MG). Em meio ao conjunto de 251 fotografias feitas durante a primeira metade do século passado, a exposição perpassa a construção social, racial e histórica do povo mineiro.

Há quatro anos, o acervo de Chichico – composto por mais de cinco mil negativos em vidro e fotografias originais de época – chegou ao Instituto Moreira Salles e foi exposto na capital carioca, em 2017, na mostra homônima que agora chega a Minas Gerais. A exposição, que também já passou pelo IMS São Paulo (São Paulo) e IMS Poços (Poços de Caldas/MG), busca inserir o artista no âmbito dos grandes fotógrafos brasileiros.

De acordo com Eliane Parreiras, presidente da Fundação Clóvis Salgado (FCS), é grande o orgulho em receber um acervo dessa magnitude. “Temos imensa honra em receber o acervo desse importante artista mineiro e disponibilizá-lo para o público que, certamente, irá se identificar com a história do Chichico e, principalmente, com a forma como Minas Gerais é retratada em suas imagens”, comemora. Eliane Parreiras destaca também que a exposição Chichico Alkmim, Fotógrafo é um marco histórico da retomada da parceria entre a Fundação Clóvis Salgado e o Instituto Moreira Sales, que se desdobrará em várias ações a partir de 2020.

Foto: Francisco Alkmin

A abertura da exposição, no dia 8/11, contará com atrações como a apresentação do Grupo de Choro Olho de Sogra, formado por professores e alunos do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart); exibição do filme Terra deu, terra come, e participação dos fotógrafos lambe-lambes Roberto e Ronaldo Silva, que são irmãos e atuam há mais de 20 anos no Parque Municipal de Belo Horizonte. Os fotógrafos farão o registro do evento e entregarão as fotos instantaneamente.

O filme Terra Deu, Terra Come (2010), do mineiro Rodrigo Siqueira, será exibido às 17h, no Cine Humberto Mauro. O documentário narra a trajetória de Pedro de Alexina, um dos poucos moradores da região do quilombo Quartel do Indaiá, em Diamantina, região onde Chichico Alkmim passou sua infância e juventude. O longa, segundo Eucanaã, possui forte relação com a exposição e a preservação da memória de Diamantina e seus arredores.

Fotografia e tradição
Além de casamentos, velórios, batizados, entre outras inúmeras passagens que marcaram a vida do povo de Diamantina, Chichico se dedicou a fotografar a vida musical da cidade. Na mostra, serão expostos também cinco discos 78 RPM, com as obras de compositores da época do Império, como Ernesto Nazareth, até canções do maranhense Catullo da Paixão Cearense. Os visitantes poderão ouvir as canções e observar os registros de seresteiros, grupos de jazz, estudantes de música e bandas escolares/militares fotografados pelo artista.

Exposição Chichico Alkmin, Fotógrafo
Entrada gratuita
Período expositivo: 9/11 a 23/2/20
Local: Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard – Palácio das Artes
Av. Afonso Pena, 1.537 – Centro
Horário: terça a sábado, das 9h30 às 21h; domingos, das 17h às 21h
Informações: (31) 3236-7400 | www.fcs.mg.gov.br

Fotos: Francisco Alkmin