A superprodução operística da Fundação Clóvis Salgado, La Traviata, de Giuseppe Verdi, venceu o Prêmio Lauro Machado, da Revista Concerto, como melhor Ópera produzida em 2018. A produção, que teve direção musical e regência de Silvio Viegas e concepção e direção cênica de Jorge Takla, concorreu com outras duas importantes montagens que marcaram o calendário da música erudita em 2018: Kátia Kabanová, do compositor tcheco Leos Janáceké, dirigida por André Heller-Lopes e Sonho de uma noite de verão, do britânico Benjamin Britten, dirigida por Jorge Takla, ambas encenadas no Theatro São Pedro, em São Paulo. No entanto, foi o encanto e preciosismo de La Traviata que conquistou o público. Com 1.026 votos – representando 42.9% dos participantes da votação – a ópera produzida pela FCS e apresentada no Grande Teatro do Palácio das Artes e no Theatro Municipal de São Paulo foi a vencedora.

Crédito: Paulo Lacerda / FCS

Segundo Claudia Malta, Diretora de Produção Artística da FCS, o eixo Rio-São Paulo sempre atraiu a atenção do público que gosta de óperas, realizando as maiores produções culturais do Brasil. No entanto, nos últimos anos, as montagens da Fundação Clóvis Salgado também entraram nesse circuito, despertando o interesse do público, pela qualidade e apuro técnico dos títulos apresentados. “Com a genialidade de Jorge Takla, diretor que conseguiu montar a ópera em apenas 26 dias, e a seleção de um elenco de altíssimo nível feita pelo maestro Silvio Viegas, La Traviata conseguiu atingir o recorde de público de todas as óperas produzidas nesta gestão”, destaca Malta. “Para nós, receber o Prêmio da Revista Concerto é, além de gratificante, uma forma de validar ainda mais o trabalho feito por uma grande equipe de profissionais”.

Malta destaca ainda um ponto importante para o crescimento do gênero no Brasil: - “Para que a ópera sobreviva, devemos buscar parcerias constantes – como foi a realizada entre a Fundação Clóvis Salgado e o Theatro Municipal de São Paulo. Essa união reduz custos, amplia a visibilidade das obras, possibilita aos solistas, principalmente, um maior número de apresentações de um mesmo título. Dentre as estrelas que iluminaram o palco de La Traviata, esteve a soprano argentina Jaquelina Livieri, no papel de Violetta Valéry. Ao lado de Jaquelina, esteve o tenor Fernando Portari, no papel de Alfredo Germont, e o barítono Paulo Szot, que debutou como o personagem Giorgio Germont.

Além de 11 solistas, com expressivos trabalhos nacionais e internacionais, a montagem operística de La Traviata reuniu uma equipe de mais de 200 profissionais. A Orquestra Sinfônica e o Coral Lírico de Minas Gerais somaram cerca de 140 músicos e a Cia. de Dança Palácio das Artes contou com 14 bailarinos no elenco. No palco, trabalhando diretamente na montagem, estiveram aproximadamente 60 pessoas, entre técnicos de palco, assistentes, camareiras, maquiadores, cabelereiros e contrarregras.

O cenário de La Traviata foi assinado pelo argentino Nicolás Boni. Assumindo a criação cênica pela primeira vez em uma montagem mineira, Boni transformou o Grande Teatro em uma Paris do século XIX, onde a história é originalmente ambientada. Já os figurinos foram criados por Cássio Brasil, que também fez sua estreia em uma montagem na cidade. Os trajes resgataram o glamour, a tradição e o conservadorismo da sociedade parisiense da época. A iluminação foi de Fábio Retti, que atua em várias montagens da FCS.