“O que não está escrito, o vento leva”, foi com essa sábia frase em mente dita por Dona Lucinha, que sua filha, Márcia Clementino Nunes, desengavetou e deu continuidade a um projeto que começou há mais de 30 anos, quando era uma jovem estudante de História pela UFMG.  Nascida na cidade do Serro e acompanhando todos os anos a Festa do Rosário, Márcia, com sua inquietude de pesquisadora e encantada com a magnitude, significado e cultura que o festejo histórico mineiro representa, reuniu no livro “Festa do Rosário do Serro” uma ótica diferente dessa comemoração tricentenária. Compilando histórias, imagens, versos, cantigas, rezingas e memórias, a artista agora apresenta uma reflexão crítica e interrogativa aos sentidos simbólicos da celebração.

O livro de 224 páginas, Festa do Rosário do Serro, ilustra em imagens e texto a complexidade da fé dos negros escravos na Nossa Senhora do Rosário, uma santa de tradição cristã e branca, que se transformou em protetora dos pretos de Minas Gerais. A narrativa explica e exemplifica - pelas lentes do fotógrafo Miguel Aun, a concretização de um rito antigo, que hoje já é patrimônio cultural da história do estado e do Brasil.

A escritora enxerga a devoção escrava, transformada em dança, batidas de tambor, fantasias e música como um universo simbólico riquíssimo e uma forma de superação à escravidão.  “A Festa é linda, criativa, cultural... Uma conexão com o sagrado. Me dediquei a compreender os rituais e a importância mitológica dessa celebração anual. Mergulhei fundo e me apaixonei. No livro tento repassar esses sentimentos”, conta Márcia.

A Festa do Rosário do Serro em sua própria representação é um teatro que narra à história colonizadora de Minas Gerais e do Brasil. Nela, três grupos de dançantes – os catopês, os caboclos e os marujos, representando os negros, índios e brancos, as etnias básicas da formação brasileira, com caixas e tambores, armados de arcos e flechas - dançam - pela devoção da Nossa Senhora do Rosário. A autora reflete se esse enfrentamento era mesmo uma forma de aceitação da nova cultura imposta, ou se representava uma maneira de sobreviver e lutar de forma subliminar contra a escravidão.

Além de uma intrínseca pesquisa de campo, Márcia contou com a ajuda da historiadora Doia Freire, a captura das lentes do fotógrafo Miguel Aun, a editoria do jornalista Chico Brant, design de Mariana Brant e a acuidade do revisor Antônio Barreto. A realização é pela Lei Federal de Incentivo a Cultura - Rouanet e tem o patrocínio da CBMM e o apoio da Gasmig, Cemig, Banco BMG, Fundação Guimarães Rosa e AASER.

Sobre os lançamentos

Festa do Rosário do Serro será lançado em dois momentos. O primeiro será no dia 8 de dezembro (sábado), entre as 10h e 15h, uma data de significado religioso pra os belo-horizontinos, que se comemora o dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. “Esperei muito para lançar este trabalho e quero que seja com festa. Vamos usar o Dona Lucinha como uma casa para receber os dançantes e estarei aqui na porta fazendo os autógrafos. Festejo de rua, nos calçadões em volta do restaurante, em sintonia com o tema do livro, com tambores e dançantes. Virão Caboclos, Marujos e Catopês. As três danças”, conta Márcia, animada!

O segundo momento acontecerá no dia 11 de dezembro, Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, às 19h. Será um lançamento acadêmico em que a escritora e historiadora fará uma noite de autógrafos e contará um pouco do livro e seu processo de publicação.

Os eventos tem a produção executiva de Cibele Teixeira e Camila Valente, da Base Projetos Especiais. 

SERVIÇO

LANÇAMENTO DO LIVRO FESTA DO ROSÁRIO DO SERRO

Data: 08/12/2018 – Sábado - das 10h às 15h -  R. Padre Odorico, N. 38, Savassi – Calçadões em torno do Restaurante Dona Lucinha

11/12/2018 - Terça-feira- as 19h - Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais - Praça da Liberdade, 21 – Funcionários. 

Entrada: Gratuita

Informações: 3225 - 1197