No dia 19 de junho será conhecida a obra vencedora do Festival Tinta Fresca 2018, programa que se destina ao fomento, divulgação e estímulo a compositores brasileiros. Neste ano, 32 compositores de 8 estados se inscreveram, e 5 obras foram selecionadas como finalistas por uma comissão julgadora formada pelos compositores Eli-Eri Moura, João Guilherme Ripper e Jorge Antunes. As obras finalistas serão interpretadas pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais em concerto que será realizado na Sala Minas Gerais, às 20h30, sob regência do maestro Marcos Arakaki. As cinco obras finalistas são: Stretching before and after, de Martim Butcher; Ensaio sobre cores e sombras, de Caio Facó; Ars Polaris, de Hanon Guy; Aurora, de Eduardo Athayde,e Corona del Inca, de Jônatas Reis. O concerto é gratuito, e os ingressos devem ser retirados na bilheteria da Sala Minas Gerais a partir do dia 15 de junho (limitado a quatro ingressos por pessoa).

Filarmônica de Minas Gerais Maestro Marcos Arakaki | Crédito: Alexandre Rezende

Ao final do concerto, os jurados, o maestro e a orquestra escolhem uma obra vencedora. Seu autor receberá a encomenda de uma nova composição a ser interpretada na Temporada 2019 da Filarmônica, como estímulo à continuidade de seu trabalho.

Este concerto é apresentado pelo Ministério da Cultura e Governo de Minas Gerais. Conta com o patrocínio do Banco Inter e apoio dos Amigos da Filarmônica.

 

Compositores finalistas e suas obras

 

Martim Butcher (São Paulo, SP, 1987)

Stretching before and after

Martim Butcher iniciou seu aprendizado em música com o violão, por volta dos quatorze anos. Formou-se em Composição na Universidade Nacional de La Plata, Argentina, cidade onde estreou algumas obras para grupos reduzidos. Paralelamente, dedicava-se à música popular como violonista e compositor. Reside novamente em São Paulo desde 2016. Sobre sua obra Stretching before and after, Martim Butcher diz: “Mas, antes, o que havia? Já nos resignamos a não ir além (aquém) do ponto primeiro, tão indiferenciado de si mesmo quanto o burburinho prévio ao levare. Podemos, mal e mal, reconstruir o que desde então as ruínas nos mostraram: a pulsação bruta, a matéria ruidosa arrefecida, condensando-se em formas cada vez mais discretas, e os sons humanos colapsando sobre seu próprio atrevimento. Entretanto, ecos: do que foi, é, será. E lá adiante, talvez, ouviremos alguma coisa do que era antes e silêncio”.

Caio Facó (Fortaleza, CE, 1992)

Ensaio sobre cores e sombras

Doutorando na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, orientado por Borges-Cunha, Facó possui peças interpretadas pelo International Contemporary Ensemble, Orquestra Sinfônica do Teatro Claudio Santoro, Mivos Quartet e Filarmônica de Minas Gerais. Foi contemplado no Prêmio Funarte de Composição Clássica e finalista em três edições do Festival Tinta Fresca. Neste ano, recebeu também encomenda da Fundação Osesp. É compositor associado da Orquestra de Câmara de Valdívia, Chile, e do Ensemble MPMP, Portugal. Ensaio sobre cores e sombras é inspirada em um experimento de Isaac Newton, ao observar um raio de sol – que entrava por sua veneziana e passava por um prisma de vidro – se decompor nas sete cores do espectro visível. Nesta obra, o espectro de cores é representado por diferentes combinações harmônicas, que permeiam acordes claros e opacos e são coloridos pelos diferentes timbres dos instrumentos da orquestra.

Hanon Guy (São Paulo, SP, 1992)

Ars Polaris

Hanon Guy é formado em Composição pela Universidade de São Paulo (USP) e em Piano pela Escola Municipal de Música. Atualmente cursa mestrado na USP e estuda órgão e cravo. Foi premiado com o primeiro lugar no Concurso Nacional Quarteto Lígnea, com a obra Paisagismo de Timbres, e primeiro lugar no Concurso Internacional A. Dvorák, com a peça orquestral Breve Sensório, estreada pela Praga Sinfonietta. Ars Polaris, composta para o Festival Tinta Fresca, refere-se a uma nova maneira de praticar a estrutura harmônica, que viaja por tonalidades (polos) distintas sem se fixar sob qualquer uma, recorrendo a conjunturas que misturam espectralismo com neotonalismo. A obra é estruturada em três movimentos ininterruptos, em formas comuns (Sonata, Ternária e Binária com Codas), que, juntas, totalizam uma forma cíclica livre. Temas e motivos recorrentes perpassam toda a obra, com variações da maior diversidade possível.

Eduardo Athayde (Belo Horizonte, MG, 1979)

Aurora

Eduardo Athayde graduou-se em Composição na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais, onde foi aluno de Rogério Vasconcelos, Sérgio Freire, Gilberto de Carvalho, Oiliam Lanna e João Pedro Oliveira. A peça orquestral Aurora é a sua estreia como compositor. Aurora é o nome da titânide deusa do amanhecer na mitologia romana. Todo dia Aurora se renova e, voando através dos céus, anuncia a chegada de seu irmão Sol. Esse ciclo é fundamental para a percepção humana sobre a passagem do tempo. A peça é construída em três escalas temporais. São elas a percepção psicoacústica dos sons no presente; o diálogo com estéticas e técnicas composicionais do passado; e o intervalo entre duas Auroras que conectam nossas relações entre o passado, o presente e o futuro.

Jônatas Reis (Belo Horizonte, MG, 1976)

Corona del Inca

Jônatas Reis estudou na Escuela Superior de Música José Ángel Lamas em Caracas, Venezuela, e é Bacharel em Composição pela Universidade Federal de Minas Gerais. Venceu diversos prêmios de composição, inclusive o Festival Tinta Fresca 2015. Suas obras, executadas por várias orquestras nacionais, exploram principalmente a combinação entre a música de concerto, o jazz e o folclore brasileiro e latino-americano. No seu repertório, destacam-se peças de caráter sinfônico. Corona del Inca, dedicada à memória do compositor argentino Alberto Ginastera, foi inspirada em uma viagem feita no ano do seu centenário ao vulcão Corona del Inca, nos Andes argentinos. Extinto e com 5.530 metros de altitude, o vulcão tem sua enorme cratera ocupada por um belo e misterioso lago. Elementos melódicos e rítmicos do folclore regional são utilizados ao longo da obra e interagem com processos e recursos próprios da música de concerto contemporânea.

A Comissão Julgadora

Eli-Eri Moura (Campina Grande, PB, 1963)

Doutor em Composição pela McGill University, Canadá, sua obra abrange música incidental e de concerto. Entre os prêmios que recebeu estão Max Stern Fellowship in Music, Canadá, Composição Funarte – quatro edições – e Melhor Música na décima edição do Vitória Cine Vídeo. Participou de diversos festivais, incluindo várias edições da Bienal de Música Brasileira Contemporânea, além do Ano Brasil em Portugal, Europalia International Arts Festival e o ISCM World Music Days. Sua Ópera do Mambembe Encantado, com libreto de Tarcísio Pereira, abriu a 1ª Bienal de Ópera Atual (BOA), na programação cultural do MinC nos jogos olímpicos e paraolímpicos do Rio de Janeiro. Lançou quatro CDs autorais e escreveu para vários periódicos, incluindo o Contemporary Music Review da Inglaterra. Leciona na graduação e pós-graduação da Universidade Federal da Paraíba, onde fundou o Compomus (Laboratório de Composição Musical) e liderou a implantação da área de composição.

João Guilherme Ripper (Rio de Janeiro, RJ, 1959)

Compositor, regente e professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), obteve doutorado em Composição na The Catholic University of America, Estados Unidos, onde estudou com Helmut Braunlich e Emma Garmendia. Cursou especialização em Regência Orquestral na Argentina, com Guillermo Scarabino, e Economia e Financiamento da Cultura na Université Paris-Dauphine. Foi diretor da Escola de Música da UFRJ e da Sala Cecília Meireles, onde empreendeu ampla reforma e modernização. Presidiu a Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro e é presidente da Academia Brasileira de Música. Colabora com orquestras, teatros e festivais no Brasil e no exterior, criando novas obras e atuando como compositor residente. Em sua produção mais recente destacam-se obras escritas para o Artist Program da Kean University, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, Filarmônica de Minas Gerais, Orquestra Sinfônica Brasileira e Teatro Amazonas.

Jorge Antunes (Rio de Janeiro, RJ, 1942)

Formado em Violino, Composição e Regência, destacou-se como precursor da música eletrônica no Brasil em 1961, época em que iniciou o curso de Física na Faculdade Nacional de Filosofia. Realizou estudos de pós-graduação em Composição no Instituto Torcuato Di Tella de Buenos Aires, com Alberto Ginastera e Luis de Pablo. Estudou no Instituto de Sonologia da Universidade de Utrecht, com bolsa do governo holandês, no Groupe de Recherches Musicales de l'ORTF, com Pierre Schaeffer, e fez Doutorado em Estética Musical na Universidade de Paris VIII. Professor titular de Composição Musical na Universidade de Brasília até se aposentar, obteve prêmios nacionais e internacionais e tem CDs, DVDs e livros publicados. É membro da Academia Brasileira de Música e presidente da Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica. Suas obras são publicadas por importantes editoras internacionais, como Salabert, Breitpkof & Härtell, Gerig, Ricordi, Sistrum, Billaudot e Suvini Zerboni.

Filarmônica de Minas Gerais Maestro Marcos Arakaki | Crédito: Rafael Motta

SERVIÇO:

9º Festival Tinta Fresca

Concerto de encerramento

19 de junho – 20h30

Sala Minas Gerais

Marcos Arakaki, regente

BUTCHER        Stretching before and after

FACÓ                  Ensaio sobre cores e sombras

GUY                 Ars Polaris

ATHAYDE          Aurora

REIS                 Corona del Inca

 

CONCERTO GRATUITO

Os ingressos poderão ser retirados apenas na bilheteria da Sala Minas Gerais, a partir do dia 15 de junho, limitados a quatro unidades por pessoa.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

Funcionamento da bilheteria:

Sala Minas Gerais – Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto

De terça-feira a sexta-feira, das 12h às 20h.

Aos sábados, das 12h às 18h.

Em quintas e sextas de concerto, das 12h às 22h

Em sábados de concerto, das 12h às 21h.

Em domingos de concerto, das 9h às 13h.