O premiado jovem pianista brasileiro Cristian Budu retorna ao palco da Sala Minas Gerais para interpretar o lírico Rondó, K. 386,de Mozart, e a virtuosística Totentanz, de Franz Liszt, nos dias 17 e 18 de maio, às 20h30. A Filarmônica de Minas Gerais interpreta também Don Juan, op. 20, de R. Strauss, e a Sinfonia nº 4 em dó menor, D. 417, “Trágica”, de Schubert.  A regência é do maestro Fabio Mechetti.
Cristian Budu. Foto: Arquivo pessoal

Na série de palestras sobre obras, compositores e solistas, promovidas pela Filarmônica antes das apresentações, entre 19h30 e 20h, o público poderá assistir aos comentários do maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da Orquestra.

Estes concertos são apresentados pelo Ministério da Cultura e Governo de Minas Gerais e contam com o patrocínio da Cemig por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Repertório

Sobre a Sinfonia nº 4 em dó menor

Franz Schubert (Viena, Áustria, 1797 – 1828) e a Sinfonia nº 4 em dó menor, D. 417, “Trágica” (1816)

Entre os compositores canônicos do Classicismo vienense, Schubert foi o único que nasceu na capital austríaca. Até sua morte, aos 31, compôs prolificamente. Destacou-se em gêneros então marginais, como a canção, o duo pianístico e peças para piano. Nas músicas de câmara e sinfônica, amadureceu gradualmente. De todas as formas que praticou, a sinfonia era a que menos interessava a seus apoiadores. A Quarta de suas sete sinfonias foi concluída aos dezenove anos. A estreia só ocorreu em 1849, duas décadas após sua morte, em Leipzig. Responsável pela primeira publicação da Quarta, em 1884, Brahms declarou ao editor que as sinfonias juvenis “não deveriam ser publicadas, mas apenas piamente preservadas”. Em seu tempo, Dvorák foi um dos poucos admiradores dessas obras, nas quais o caráter das melodias, as progressões harmônicas e vários detalhes de orquestração lhe revelavam a individualidade de Schubert. A crítica atual procura dissociar a Quarta da sombra de Beethoven. Ao apresentá-la na BBC de Londres em 2014, Stephen Johnson ressaltou a engenhosidade das transformações de motivos, a ousadia dos encadeamentos de acordes, os contrastes de afetos e a constância de motivos em transformação através de seções de caráter antagônico.

Sobre o Rondó K. 386

Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, Áustria, 1756 – Viena, Áustria, 1791) e o Rondó para piano em Lá maior, K. 386 (1782)

Na maioria das vezes, os concertos para instrumentos solistas de Mozart foram obras compostas sob a pressão da aristocracia que o patrocinava ou da alta burguesia frequentadora de teatros. Ele manteve, como regra geral, a tradicional estrutura tripartida (Forma sonata, Lento e Rondó) característica do gênero. Mas, a partir dos dezessete anos, quando então escreve seus primeiros concertos realmente originais, criará uma proposta formal distinta e particular para cada obra. É curioso que tenha se servido de um gênero tão popular para confidenciar seus sentimentos mais íntimos e realizar audaciosas inovações – os últimos concertos possuem uma beleza transcendente; obras-primas definitivas, ímpares e profundamente humanas. O Rondó K. 386, composto em 1782, aos 26 anos, foi frequentemente considerado um final opcional para o Concerto K. 414, escrito na mesma época e na mesma tonalidade. Hoje, tornou-se peça independente e é assim que a escutaremos neste programa.

Sobre a Totentanz

Franz Liszt (Raiding, Hungria, atual Áustria, 1811 – Bayreuth, Alemanha, 1886) e Totentanz (1849)

Totentanz, composição de Liszt para piano e orquestra, sofreu diversas revisões em 1853 e 1859. Ainda assim a estreia só se deu em 1865, na Holanda, sob a regência do lendário Hans von Büllow. A obra é organizada como um conjunto de variações sobre a melodia gregoriana do Dies Irae, presente na Missa de Réquiem. Houve, provavelmente, uma influência do último movimento da Sinfonia Fantástica (1830) de Hector Berlioz, que utiliza a mesma melodia de modo surpreendente e inovador. O título da peça remete ao famoso afresco italiano do século XIV, O triunfo da morte, do Cemitério de Pisa, visitado por Liszt em 1830. Totentanz combina características de um Concerto para piano e orquestra com a forma Tema e Variações. Entre as inovações instrumentais dessa peça destacam-se a natureza percussiva do piano, que antecipa sonoridades de Béla Bartók, e o uso do col legno – percussão com a madeira do arco nas cordas –, associado por alguns críticos ao ruído de choque dos esqueletos na dança da morte.

Sobre Don Juan, op. 20

Richard Strauss (Munique, Alemanha, 1864 – Garmisch-Partenkirchen, Alemanha, 1949) e Don Juan, op. 20 (1888/1889)

Os poemas sinfônicos de Richard Strauss, definidos pelo próprio compositor como ilustrações sonoras de enredos poéticos, inserem-se de maneira muito pessoal na tradição da música programática desenvolvida por Berlioz, Liszt e Wagner, compositores que deram novo rumo à música orquestral do século XIX. Finalizada em setembro de 1888, a partitura de Don Juan demonstrava a maturidade atingida por Strauss (que tinha apenas 24 anos), dando-lhe lugar de destaque entre os compositores alemães da geração pós-wagneriana. Dentre as diferentes concepções do mito do sedutor espanhol, a fonte literária escolhida por ele foi o poema dramático do escritor austríaco Nikolaus Lenau. Nessa versão, o personagem não tem a arrogância e o orgulho do seu célebre homônimo mozartiano. Ao contrário, o Don Juan de Lenau e Strauss é um homem fragilizado pela busca incessante de um ideal inacessível – o da encarnação perfeita do eterno feminino. Não o encontrando em tantas mulheres conquistadas, o herói deixa-se tomar por um grande tédio e, desiludido, procura a morte em um duelo. Como citação poética, Strauss incluiu na partitura trinta versos do texto de Lenau, agrupando-os em três blocos correspondentes às ideias que ele procurou evocar nos temas musicais – o Desejo, a Posse, o Desespero. A obra possui inspiração melódica arrebatadora, com destaque para o enérgico e majestoso motivo das trompas que representam o protagonista, e o violino solo, que sugere a imagem ingênua de Zerlina.

Maestro Fabio Mechetti

Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008, Fabio Mechetti posicionou a orquestra mineira no cenário mundial da música erudita. Além dos prêmios conquistados, levou a Filarmônica a quinze capitais brasileiras, a uma turnê pela Argentina e Uruguai e realizou a gravação de oito álbuns, sendo três para o selo internacional Naxos. Natural de São Paulo, Mechetti serviu recentemente como Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática.

Nos Estados Unidos, Mechetti esteve quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville e, atualmente, é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane, da qual hoje é seu Regente Emérito. Regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio. Da Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey. Continua dirigindo inúmeras orquestras norte-americanas e é convidado frequente dos festivais de verão norte-americanos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmem, Don Giovanni, Così fan tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello.

Suas apresentações se estendem ao Canadá, Costa Rica, Dinamarca, Escandinávia, Escócia, Espanha, Finlândia, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Suécia e Venezuela. No Brasil, regeu todas as importantes orquestras brasileiras.

Fabio Mechetti é Mestre em Regência e em Composição pela Juilliard School de Nova York e vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, da Dinamarca.

Cristian Budu, piano

Cristian Budu é considerado um dos expoentes de sua geração. Dotado de musicalidade genuína e calorosa força de comunicação, sua personalidade artística e sensível toque ao piano vêm sendo internacionalmente reconhecidos. Desde os nove anos de idade, foi laureado com o primeiro lugar em diversas competições nacionais, como o Concurso Nelson Freire 2010 e o Programa Prelúdio da TV Cultura 2007. Em 2013, tornou-se o primeiro brasileiro a vencer o Concurso Internacional de Piano Clara Haskil, na Suíça, considerado um dos mais importantes da atualidade. Essa conquista de Budu tem sido considerada pela crítica nacional como a mais importante premiação a um pianista brasileiro nos últimos vinte anos. Cristian desenvolve uma carreira intensa como solista e camerista, apresentando-se na América do Sul, Europa, Estados Unidos e Israel. Tocou com a Orchestre de la Suisse Romande, Orquestra Sinfônica Brasileira, Filarmônica de Minas Gerais, Petrobras Sinfônica, Orquestra Sinfônica de Sergipe e em recitais no Festival de Campos do Jordão.

Sobre a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Criada pelo Governo do Estado e gerida pela sociedade civil, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais fez seu primeiro concerto em 2008, há dez anos. Diante de seu compromisso de ser uma orquestra de excelência, cujo planejamento envolve concertos de série, programas educacionais, circulação e produção de conteúdos para a disseminação do repertório sinfônico brasileiro e universal, a Filarmônica chega a 2018 como um dos mais bem-sucedidos programas continuados no campo da música erudita, tanto em Minas Gerais como no Brasil. Reconhecida com prêmios culturais e de desenvolvimento econômico, a nossa Orquestra, como é carinhosamente chamada pelo público, inicia sua segunda década com a mesma capacidade inaugural de sonhar, de projetar e executar programas valiosos para a comunidade e sua conexão com o mundo.

Números da Filarmônica de Minas Gerais em 10 anos (até dezembro de 2017)

950 mil espectadores

731 concertos realizados

975 obras interpretadas

102 concertos em turnês estaduais   

38 concertos em turnês nacionais

5 concertos em turnê internacional

90 músicos

527 notas de programa publicadas no site

164 webfilmes (13 com audiodescrição)

1 coleção com 3 livros e 1 DVD sobre o universo orquestral

4 exposições itinerantes e multimeios sobre música clássica

3 CDs pelo selo internacional Naxos (Villa-Lobos)

1 CD pelo selo nacional Sesc (Guarnieri e Nepomuceno)

3 CDs independentes (Brahms&List, Villa-lobos e Schubert)

1 trilha para balé com o Grupo Corpo

1 adaptação de Pedro e o Lobo, de Prokofiev, para orquestra e bonecos com o Grupo Giramundo

SERVIÇO

Série Allegro

17 de maio – 20h30

Sala Minas Gerais

 

Série Vivace

18 de maio – 20h30

Sala Minas Gerais

Fabio Mechetti, regente

Cristian Budu, piano

SCHUBERT      Sinfonia nº 4 em dó menor, D. 417, “Trágica”

MOZART         Rondó para piano em Lá maior, K. 386

LISZT                Totentanz

R. STRAUSS     Don Juan, op. 20

Ingressos:  R$ 44 (Coro) R$ 50 (Balcão Palco) R$ 50 (Mezanino), R$ 68 (Balcão Lateral), R$ 92 (Plateia Central) e R$ 116 (Balcão Principal).

Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Ingressos para o setor Coro serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

Funcionamento da bilheteria:

Sala Minas Gerais – Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto

De terça-feira a sexta-feira, das 12h às 20h.

Aos sábados, das 12h às 18h.

Em quintas e sextas de concerto, das 12h às 22h

Em sábados de concerto, das 12h às 21h.

Em domingos de concerto, das 9h às 13h.

São aceitos cartões com as bandeiras Amex, Aura, Redecard, Diners, Elo, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.