Iniciando as comemorações dos 40 anos do Cine Humberto Mauro, que acontecerá durante todo o ano de 2018, a Fundação Clóvis Salgado resgata a história de Buster Keaton, renomado cineasta e um dos mais ativos em fins do século XIX, com a Mostra Buster Keaton – O Acrobata do Riso. Serão exibidos 51 filmes, entre curtas e longas, mudos e falados, desse diretor considerado um rival de Charles Chaplin.

No encerramento da mostra, serão exibidos, no Grande Teatro do Palácio das Artes, o curtaThe Railrodder (1965) e o longa A General (1926), considerados os trabalhos mais importantes da carreira de Keaton. Além disso, o curta The Railrodder terá sua trilha sonora executada ao vivo por músicos convidados e alunos do Centro de Formação Artística e Tecnológica – Cefart. A trilha para a exibição do curta foi composta por André Brant, coordenador da Escola de Música do Cefart.

O acrobata do riso – Buster Keaton iniciou sua carreira no cinema com curtas-metragens e, posteriormente, longas, em filmes mudos e falados, dirigindo e atuando. Uma de suas principais características era a capacidade de fazer humor por meio das gags (corrida, fuga, queda), utilizando de um personagem impassível, que sempre mantinha as mesmas feições diante dos fatos. Assim, Buster Keaton foi chamado pelos críticos de O grande cara de pedra ou O homem que nunca ri.

Para o Gerente do Cine Humberto Mauro, Bruno Hilário, e um dos curadores da Mostra, essa é uma oportunidade valiosa para conferir os feitos da carreira de Keaton. “Procuramos organizar um evento muito completo e conseguimos uma boa representação da trajetória cinematográfica do diretor, no período de 1920 a 1930. Ele ditava regras e inovava no cinema, trazendo as gags, os números de comédia, bem amarrados dentro da narrativa. As manobras realizadas eram muito arriscadas e realistas”, conta.

Outro diferencial apontado por Bruno é o próprio título da mostra, que reforça o desejo em fugir do óbvio quando se tratar de Buster Keaton. “O título ‘Acrobata do riso’ é uma escolha menos óbvia. O nome de Keaton é sempre associado à figura do palhaço que não ri, mas pensamos em homenagear outros aspectos de sua carreira e de suas performances, que eram marcadas por fisicalidade, pelas acrobacias e movimentos”, comenta.

Nascido em uma família de artistas, Joseph Frank Keaton Jr. era filho de Joseph Keaton, parceiro do famoso mágico Harry Houdini. Buster, que em inglês significa destruidor, foi o apelido que o ator ganhou de Houdini, após cair de uma escada quando bebê e não sofrer nenhum arranhão. O talento de Keaton se manifestou na infância, fazendo números cômicos com seus pais, confirmando sua presença cênica desde cedo.

Buster Keaton não obteve tanto sucesso quanto o expoente de sua época, Charles Chaplin, na transição do cinema mudo para o falado. Apesar disso, os dois contracenaram em As Luzes da Ribalta (1952), filme que também será exibido na mostra, e reanimou a carreira de Keaton, fazendo diversos filmes até sua morte, em 1966.

Longe do cinema, o ator continuou em outras mídias, segundo Bruno Hilário. “Se engana quem pensa que após os filmes Keaton se tornou um fracasso. Ele ainda fez muito sucesso no cinema falado e participou de inúmeros comerciais de televisão usando a imagem do seu personagem icônico. Além disso, sua performance encontra ecos no cinema contemporâneo, em figuras como Jerry Lewis, Petter Salles, Jacques Tati e até mesmo em Jackie Chan”, revela Bruno.

Destaques – Um dos principais destaques da mostra é a execução da trilha sonora ao vivo de The Railrodder, seguida da exibição do longa A General, no Grande Teatro. “Decidimos organizar essa sessão porque o Cine Humberto Mauro surgiu no Grande Teatro do Palácio das Artes. Há quarenta anos, havia um Cineclube no local, com exibições aos sábados e domingos. Esse foi o embrião do Cine Humberto Mauro”, lembra Bruno Hilário.

O curta The Railrodder, de 1965, é a última atuação do ator em produções mudas e uma ode aos filmes que consagraram sua carreira ao longo dos anos. A obra, dirigida pelo próprio Keaton, e co-dirigida por Gerald Potterton e John Spotton, é uma história simples: após sair de Londres, na Inglaterra, o personagem de Keaton decide viajar de uma ponta à outra do Canadá, em um carro motorizado.

Em A General (1926), dirigido por Clyde Bruckman, Buster Keaton interpreta Johnnie, homem apaixonado por sua locomotiva, a General, e também pela bela Annabelle Lee. Durante a Guerra Civil, a General e Annabelle são raptadas por espiões da União Soviética, e Johnnie deve correr atrás de ambas, numa aventura movimentada, excitante e divertida através da ferrovia.

Outros destaques são os filmes Nossa Hospitalidade (1923) e Sherlock Jr. (1924). Dirigido por Keaton e John G. Blystone, Nossa Hospitalidade acompanha a rixa das famílias McKay e Canfield em Kentucky, nos Estados Unidos, em 1830. A disputa entre as famílias se complica quando Willie (Buster Keaton) se apaixona por uma garota da família Canfield. Já Sherlock Jr., dirigido e atuado por Keaton, conta a história de um projecionista e aspirante a detetive, que é apaixonado por uma moça. Incriminado injustamente por seu rival, ele precisa provar sua inocência para salvar seu relacionamento e sua reputação.

História Permanente do Cinema – As sessões do programa História Permanente do Cinema acontecem sempre às quintas-feiras, às 17h. Durante a Mostra, exibirão grandes clássicos da comédia, do cinema silencioso ao falado, buscando sempre uma relação com Buster Keaton. Todas as sessões serão comentadas.

Cine Humberto Mauro

Um dos mais tradicionais cinemas de Belo Horizonte, o Cine Humberto Mauro foi inaugurado oficialmente em 15 de outubro de 1978 e seu nome homenageia um dos pioneiros do cinema brasileiro, o mineiro Humberto Mauro (1897-1983), grande realizador cinematográfico no período de 1925 a 1974. Antes de sua inauguração, as sessões de cinema do Palácio das Artes eram realizadas aos sábados e domingos, no Grande Teatro. Após inúmeras reformas e adaptações, atualmente a sala de cinema localiza-se em frente à Galeria Genesco Murta e ao lado do Café do Palácio. Com 129 lugares, sua tecnologia foi modernizada com a aquisição de equipamentos de som dolby digital e para exibição de filmes em 3D e 4K. Todas as atividades do Cine Humberto Mauro são gratuitas.

Nestes 39 anos de existência, a Fundação Clóvis Salgado tem investido na consolidação do espaço como um local de formação de novos públicos a partir de programação diversificada, bem como à criação de mecanismos de estímulo à produção audiovisual com a realização do tradicional Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte – FESTCURTASBH, e o Prêmio Estímulo ao Curta-metragem de Baixo Orçamento.

Já a seleção das mostras privilegia a história de consagrados diretores como Tarkovsky, Alfred Hitchcock, Ingmar Bergman e Quentin Tarantino, entre outros. Gêneros distintos do cinema como terror, comédia e ficção científica, destaques da programação, também têm atraído público numeroso. Somente em 2017, mais de 70 mil pessoas frequentaram o Cine Humberto Mauro para conferir as 21 mostras exibidas.

O Cine Humberto Mauro também é um importante difusor do conhecimento ao promover cursos, seminários, debates e palestras. Sessões permanentes e comentadas também têm espaço cativo a partir das mostras Cineclube Francófono e Cinema e Psicanálise.

Serviço:

Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes

Endereço: Av. Afonso Pena, 1.537

Período: 2 a 29 de março de 2018

Entrada gratuita

Informações para o público: (31) 3236-7400